Caminho Português da Costa ou Central? Descobre qual o melhor para ti.

Não há decisões fáceis no trilho milenar. O importante é teres toda a informação para escolheres bem, no momento em que tiveres de as fazer. Por isso, entre o caminho da costa e o central, venha o peregrino e escolha. Neste artigo, escrevemos sobre os pontos fortes e fracos de cada um dos trajetos de Santiago portugueses. Assim, tens uma ajuda para descobrires quais são as estradas que melhor se adaptam a ti. Vamos a isso?

Qual é a diferença entre fazer o Caminho da Costa e o Central?

A questão, “Caminho Português da Costa ou Central?”, tem muitas respostas. Isto porque ambos os trajetos têm as suas características. O Caminho da Costa tem uma relação estreita com o oceano, estando sempre ao seu lado em todo o trecho, enquanto que o Central (e daí o nome) nos leva pelo centro do país.  De maneira simplista, essa é a grande entre estes dois caminhos portugueses.

Porém, a verdade é que as distinções não acabam aqui. Temos de pensar que cada cidade do percurso tem a sua própria história com o caminho. Para além disso, os terrenos palmilhados pelos caminheiros são tão diferentes que a experiência em cada local é única. Até a gastronomia, em localidades com menos de 100 quilómetros de distância entre si, muda por completo. É caso para perguntar se preferes peixe ou carne, já que a resposta pode ajudar-te a escolher!

No fundo, ambas as rotas têm o seu encanto e desgostos. Por isso, vamos aproximar-nos do mar para saber se este é o Caminho para ti!

Caminho Português de Santiago da Costa

  • É mais longo. 

Este Caminho de Santiago tem 280 quilómetros. Ou seja, é mais comprido 20 mil metros quando comparado ao central. Por outras palavras, mais uma etapa. Apesar disso, o trajeto até Santiago de Compostela, tem menos montanhas e subidas.

Desta forma, apesar de teres de caminhar mais, o esforço pode até ser menor. Pelo menos aqui não tens de subir o ponto mais alto do Caminho Português de Santiago.

  • Tens mais liberdade para escolhes percursos. 

Neste trajeto, todos os dias podem ser diferente. Apetece-te ir encostado ao mar a ver a maré ? Podes seguir o oceano. Com vontade de ir pelas estradas e montanhas, conhecendo a fauna e a população? Então força, também podes!

Planear é a palavra de ordem, para perceberes o que queres ver, sentir e viver neste momento tão especial da tua vida. Para te ajudar neste processo, temos as etapas descritas com os pontos principais a visitas, no nosso website.

  • Para quem gosta do mar, é um petisco.

Nunca é demais repetir. Para quem gosta do oceano não há um percurso melhor.  Desde excelentes restaurante com o peixinho mais fresco da região, até à arquitetura de antigas cidades piscatórias com as suas barraquinhas coloridas, tudo parece ter sido desenhado pelo o Walt Disney pessoalmente. 

No entanto, como em tudo na vida, é preciso ter atenção quando tudo parece maravilhoso. Por irmos junto à praia, o sol pode causar maior desidratação e escaldões. Mesmo com a ajuda do chapéu, que deves usar sempre, a areia da praia reflete 17% da radiação UV.

Para além disso, mesmo que esta zona da Península Ibérica tenha mais nuvens do que o sul, tens de continuar a proteger-te da estrela maior da Via Láctea. Isto porque os raios conseguem atravessar esta camada nebulosa do céu, dando-te uma falsa sensação de segurança pelo percurso.

Assim sendo, não te esqueças da água e do protetor, que vão ser os teus melhores amigos a caminhar pelo litoral de Portugal e da Galiza.

  • Há menos pessoas a palmilhar pela Costa.

Dependendo da perspectiva, pode ser bom ou mau. Como sempre, vamos começar por ver o lado cintilante da vida, para te explicar o nosso ponto.

Ao longo do percurso vais encontrar muitos outros peregrinos. Vindos de todo o mundo, esta é uma oportunidade para entrar em contacto com outras cultural, línguas e tradições que nunca esperarias conhecer.

Desta forma, com menos pessoas a trilhar caminho, tens uma melhor oportunidade para criar uma relação com estas pessoas, conversar mais tempo e até criar um círculo de amizades peregrinas durante o teu trajeto.

Isto acontece pois os albergues têm menos pessoas para acomodar. Assim, de forma natural quem te faz companhia nesta aventura, desvia-se naturalmente para os mesmos albergues, cidades e até restaurantes que têm menor chance de estarem cheios.

Porém, uma vez que não é tão popular, nos meses de verão, estes espaços de convívio enchem-se com facilidade por não existires infraestruturas suficientes. Isto inclui, espaços para sentar, cafés, fontes de água e albergues.

Tudo isto, apesar de existir um esforço das autarquias em Portugal para melhorar nos últimos anos, pode dificultar a vida aos peregrinos de Santiago. Para preparares o teu Caminho sem pensar nestas questões, passa pelas nossas etapas que têm albergues, restaurantes e locais de interesse pensados de peregrino para peregrino!

O Caminho Português Central

  • Na falta de oceano, temos rios únicos e montanhas das mais verdes. 

Com vários rios a cumprimentarem-nos ao longo do trajeto, em momento algum vamos ter a companhia do atlântico. Porém, é aconselhável levar o fato de banho e uma toalha. Só em Portugal, temos logo em Barcelos e em Ponte de Lima duas maravilhosas praias fluviais prontas a receber os destemidos peregrinos. Aliás, é o ingrediente perfeito para o final de um longo dia. Principalmente, se chegares àquela que é uma das mais antigas vilas do nosso país com tempo para descansar, já que é uma etapa difícil e comprida.

  • Não te vais perder, com tanta facilidade. 

O traçado está bem definido há milénios. Por isso, o espaço para improvisar do Caminho da Costa, não se repete quando se percorre o centro de Portugal. Assim sendo, sair do percurso estabelecido é possível, mas pouco provável. Mesmo que tal aconteça, rapidamente os locais avisam que estás a ir na direção errada. 
Para saberes mais sobre as etapas centrais, visita a nossa aba que lhes é dedicada por completo aqui.

  • É o segundo mais visitado por peregrinos.

 popularidade do percurso central é um motivo de orgulho para todos nós. Porém, graças à sua história tão unida à construção do país que é hoje Portugal, a importância económica das travessias durante a idade média e a políticas de promoção do trajeto, é apenas natural que tal seja realidade. 

Graças à peste negra, às guerras na Europa e o disseminar do protestantismo, a peregrinação tornou-se miragem de outros tempos. Aliás, há relatos de 1867 a afirmar que nesse ano, apenas 40 peregrinos chegaram a Santiago de Compostela. 

Contudo, muito mudou ao longo dos anos. Com a dinamização do primeiro Ano Santo Compostelano do milénio em 2004 e a classificação do Caminho Francês a património da humanidade em 1993, Portugal e o trajeto Central ganharam relevância internacional neste mundo. Ao juntar o bom tempo, preços baixos e paisagens incríveis, esta é a receita para o sucesso deste trilho. 

Mas todas as paisagens têm o seu senão. Mais pessoas significa que há menos espaço para fazeres um percurso calmo, apenas contigo e os teus pensamentos. Além disso, apesar das excelentes infraestruturas, no tempo de verão é sempre complicado ter um sítio para dormir, comer ou simplesmente descansar. 

  • Mais curto uma etapa.

Para quem tem menos tempo disponível, o Caminho Central consegue-se fazer em apenas 10 dias. Na realidade, há quem faça a travessia em apenas 5 ou 6. Basta ir de bicicleta, por exemplo, ou estar em excelente forma física. 

Mas 10 dias é o período ideal para conhecer o melhor que o trilho milenar tem para oferecer. Com momentos de repouso, lazer e introspecção a que este obriga. Aproveita bem que passa rápido!

  • Encontras infraestruturas com facilidade.

Aqui aplica-se a lei da oferta e da procura. Por existir tanta procura, os comerciantes e municípios estão mais bem preparados para receber os peregrinos com qualidade. Ou seja, mais locais de descanso, bebida e comida. 

Todavia, se preferires fazer o Caminho sem tanto conforto, este pode não ser o indicado para ti. Afinal, é dos percursos mais populares. Não obstante, esse “turismo excessivo” tende a começar em Valença ou Tui, já que é a partir daqui que tens os quilómetros mínimos para receber a Compostela.

Afinal, qual preferes? Caminho Português da Costa ou Central?

Em suma, ambos os caminhos têm uma beleza única. Mesmo com um país tão pequeno, há variedade geográfica para ter dois trilhos tão diferentes. Temos sorte de estar tão perto deles, em Portugal.  

Agora, faltas tu. Já fizeste algum destes percursos? Está a faltar-nos alguma distinção importante? Fala conosco nos comentários!

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