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“A Caminho” com a Rosário
Há peregrinos que procuram o Caminho para chegar a Santiago, e há outros que o procuram para chegar a si.
A Rosário pertence a este segundo grupo. Todos os anos, entrega-se à estrada como quem procura paz, propósito e um silêncio que cura. Caminha sozinha, mas nunca solitária; leva consigo a fé, a força e a coragem de quem sabe que cada etapa é uma conversa íntima com a alma, e também a consciência de que, mesmo num lugar tão especial, a segurança importa.
Um episódio difícil relembrou‑lhe isso, e mostrou‑lhe como uma simples app pode fazer toda a diferença.
Entre perdas, superações, encontros improváveis e momentos que a testaram no mais profundo, o Caminho tornou-se para ela um lugar de amor, introspeção e humanidade.
Nesta entrevista, a Rosário abre o coração e mostra-nos como cada jornada é única, e como, passo após passo, o Caminho tem o poder de transformar tudo.
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1. O que te motivou a fazer o Caminho?
Procura de paz interior e um reset à confusão do dia a dia.
2. Quanto tempo passou entre decidires e começares o Caminho?
faço todos os anos, o primeiro que fiz decidi em poucos dias e segui viagem.
3. Que caminho escolheste e porquê?
Português Central (desde Valença), o segundo feito em 2025 fiz o Caminho da Costa desde a Viana do Castelo e virei para Valença subindo o Rio Minho.
4. Quantos dias demoraste?
No primeiro demorei uma semana, no segundo cerca de 10 dias.

5. Que etapas fizeste e quais foram as mais marcantes?
No primeiro caminho a etapa mais marcante foi Pontevedra- Caldas, que me testou a paciência. No segundo caminho… penso que todos pois estava prestes a terminar quando soube que tinha perdido uma amiga. Entrar no Obradoiro levou-me às lágrimas.
6. Como te preparaste física e mentalmente para o Caminho?
Eu sou escuteira, pertenço à Fraternidade Nuno Álvares, e sempre gostei do contacto com a natureza e percorrer grandes distâncias – fisicamente custa-me pouco mas a batalha mental existe sempre. A superação vem com a fé.
7. Fizeste o Caminho sozinho ou acompanhado? Se acompanhado, com quem?
Sempre fiz sozinha e adoro.
8. Qual foi o momento mais desafiante?
No ano passado entre Porriño e Mós, fui vitima de assédio e senti algum receito – mas lembrei-me da App AlertCops a Guardía Ciivil que foi a minha salvação. É muito últl para todos os peregrinos (em grupo ou a solo) e é grátis. Tenho esta história no meu insta @peregrina_y_sus_ultreias dedicado às minhas aventuras.
9. Houve algo que te surpreendeu durante o caminho?
Sim, o silêncio e os encontros com pessoas de todo o mundo.

10. Qual foi a melhor refeição que tiveste no caminho?
Adoro, simplesmente adoro chegar a Porriño e ir comer um belo bocadillo de calamares no restaurante Paso A Nível.
11. Onde encontraste a melhor estadia ao longo do percurso?
Definitivamente em Pontevedra – Bulezen Urban Hostal, É caro, privado mas serve de miminho psicológico para a etapa seguinte que nunca sou fã. Tem excelentes condições, camas confortáveis, duches, e uma cozinha enorme.

12. Conheceste alguém que te marcou?
Conheci várias pessoas que me marcaram no caminho – as mais marcantes foi uma família de Valência que fazia o caminho como promessa e agradecimento por terem sobrevivido à Dana (tempestade de 2024).
13. O que não pode faltar na mochila de um peregrino?
Eletrólitos, uma mini farmácia, uma ficha tripla e um bom powerbank
14. Como te sentiste ao chegar a Santiago?
Sinto uma alegria enorme, é como chegar a casa. Santiago foi o meu destino de Erasmus em 2016 portanto é um reencontro importante.
15. Tens alguma música que marque o teu caminho para acrescentarmos à nossa playlist?
Tanxungueiras – Terra
16. Se só pudesses dar uma dica às pessoas que estão a pensar fazer o caminho, qual seria?
Vão, sem medo; e se der medo, ir na mesma. Nunca estão sozinhos.
17. Houve alguma aprendizagem ou mudança pessoal que tenha resultado da experiência?
Passei a ver o mundo de forma mais simples e menos materialista.
18. Após completares o Caminho, sentes que a experiência correspondeu às tuas expectativas iniciais? De que maneira?
São sempre experiências diferentes – cada Caminho é único. O primeiro foi a superação, o segundo foi aprender a confiar nos planos de Deus.
19. Participaste em alguma celebração ou evento cultural ao longo do Caminho? Como foi essa experiência?
No primeiro caminho assisti à missa da Virxe do Camiño em Pontevedra, foi muito bonita. No ano passado apanhei a semana de festas, correspondente à semana do 15 de Agosto, em várias localidades. Desde parar na aldeia de Virxe do Camiñoe e beber um copo às 5h da manhã com a Comissão de Festas, aos desfiles de gaitas em Pontevedra, e as festas da cidade de Santiago.
20. Se tivesses que descrever o Caminho em três palavras, quais seriam?
Amor, Introspeção e Humanidade
21. Tens planos de fazer o Caminho novamente ou explorar outras rotas?
Sim, já estou a planear o deste ano (2026) – ainda indecisa se faço o Primitivo desde Lugo ou Oviedo.



