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“A Caminho” com a Olga
O primeiro contacto da Olga com o Caminho de Santiago aconteceu num momento de viragem pessoal, quando procurava esclarecimentos, força e um espaço onde pudesse simplesmente respirar. O que não imaginava é que aquele primeiro passo, dado em 2013, se tornaria o início de uma transformação profunda que ainda hoje continua a inspirar dezenas de peregrinos todos os anos.
Nesta entrevista, partilha como um Caminho feito sozinha, entre desafios, descidas difíceis e encontros inesperados, se tornou um ponto de viragem na sua vida. Fala das etapas que mais a marcaram, das emoções que a acompanharam, das aprendizagens que só o Caminho sabe oferecer e de como essa experiência a levou a regressar, não uma, mas vinte e seis vezes.
Hoje, guia grupos numa jornada que vai muito além de caminhar: um verdadeiro retiro em movimento, onde cada passo é um convite à presença, à escuta e à transformação interior.
Se procuras inspiração, motivação para fazer o teu próprio Caminho ou simplesmente compreender o impacto que esta experiência pode ter na vida de alguém, esta entrevista é para ti.
A história da Olga mostra que o Caminho não termina em Santiago, começa lá dentro.
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1. O que te motivou a fazer o Caminho?
Fiz o meu primeiro Caminho em 2013, na altura estava com muitos desafios pessoais e profissionais e precisava de me reorganizar mentalmente e de alguma clareza e tempo para mim.
2. Quanto tempo passou entre decidires e começares o Caminho?
Mais ou menos um ano em que estive a preparar e organizar o meu Caminho
3. Que caminho escolheste e porquê?
O Caminho Português Central desde Valença
4. Quantos dias demoraste?
5 dias

5. Que etapas fizeste e quais foram as mais marcantes?
Fiz Valença – Redondela – Pontevedra- Caldas de Reis- Padrón- Santiago.
A mais marcante foi sem dúvida Valença Redondela porque me perdi na saída de Valença e porque foi muito difícil a descida até Redondela, no final dos 39 km, estava a ficar noite tinha mesmo de chegar e a sensação era de não ter alternativa a não ser continuar – uma das grandes metáforas que trouxe para a vida 😉
6. Como te preparaste física e mentalmente para o Caminho?
Na altura estava com pouco tempo e fisicamente não me preparei muito mas mentalmente tinha tudo definido num caderno e organizado para não me perder.
7. Fizeste o Caminho sozinho ou acompanhado? Se acompanhado, com quem?
Fiz este primeiro Caminho sozinha
8. Qual foi o momento mais desafiante?
Essa descida para Redondela com o anoitecer – na altura não havia APP de apoio ao Caminho era só seguir as setas e não tinha noção se faltava muito ainda.
9. Houve algo que te surpreendeu durante o caminho?
Sim, o acolhimento nos cafés e albergues e o companheirismo entre peregrinos. Lembro-me que me arrepiei e me vieram as lágrimas aos olhos quando ouvi o primeiro Bom Caminho de outro peregrino. Estava com a sensação de realizar um sonho.

10. Qual foi a melhor refeição que tiveste no caminho?
A tortilha que não conhecia
11. Onde encontraste a melhor estadia ao longo do percurso?
No albergue publico em Redondela que achei extraordinário

12. Conheceste alguém que te marcou?
Sim, um dos peregrinos que conheci estava a fazer o Caminho porque um amigo tinha falecido – foi uma historia que me marcou muito.
13. O que não pode faltar na mochila de um peregrino?
o poncho 😉
14. Como te sentiste ao chegar a Santiago?
Senti pena por ter terminado. Para mim não foi a chegada mas tudo o que vivi e ultrapassei até lá chegar. Sinto e digo isso até hoje e já vou para a 26ª vez no Caminho.
15. Tens alguma música que marque o teu caminho para acrescentarmos à nossa playlist?
Enquanto houver estrada para andar do Jorge Palma Palma
16. Se só pudesses dar uma dica às pessoas que estão a pensar fazer o caminho, qual seria?
Que vão sem medo. Mas que fiquem em albergues públicos ou privados e levem a mochila às costas – só assim faz realmente sentido a experiência de fazer o Caminho.
17. Houve alguma aprendizagem ou mudança pessoal que tenha resultado da experiência?
Não foi de imediato, foi ao fim de alguns anos mas mudei de caminho e foi sem dúvida esse despertar do primeiro que me trouxe ainda mais para o Caminho.
Hoje, levo grupos comigo numa experiência que vai muito além de caminhar. É um espaço de encontro, de escuta e de transformação, onde cada passo se torna um convite a olhar para dentro. Criei um programa no Caminho de Santiago que é quase um retiro em movimento. Integro dinâmicas que ajudam a aprofundar as tomadas de consciência e a dar espaço às aprendizagens que o próprio Caminho vai revelando.
18. Após completares o Caminho, sentes que a experiência correspondeu às tuas expectativas iniciais? De que maneira?
Senti que correspondeu mas que precisava de mais tempo no Caminho e não era possível naquele momento. Voltei dois anos depois com uma amiga.
19. Participaste em alguma celebração ou evento cultural ao longo do Caminho? Como foi essa experiência?
Nesse primeiro caminho não mas mais tarde na benção do peregrino em Armenteira que é muito especial.
20. Se tivesses que descrever o Caminho em três palavras, quais seriam?
Superação, desapego e presença
21. Tens planos de fazer o Caminho novamente ou explorar outras rotas?
Sim, este ano, vou voltar 12 vezes. 12 grupos diferentes, e quero ainda explorar o Caminho Primitivo.



