Entrevistas

“A Caminho” com a Beatriz Lopes Chaves

Hoje vamos “A Caminho” com a Beatriz Lopes Chaves. Por desafio de uma amiga, descobriu que a magia não estava na chegada, mas nos pequenos momentos pelo caminho: uma paisagem ao amanhecer, um gesto de cuidado, um silêncio bom, uma gargalhada. A Beatriz fez o Caminho Central com a nossa ajuda, através do Caminho Organizado, um serviço pensado para quem quer viver a experiência mais autêntica possível sem o stress da preparação. Porque o Caminho é vosso. A preparação é nossa.

Beatriz Lopes Chaves no Caminho Central


1. Porque decidiste fazer o Caminho? Entre decidir e ir, quanto tempo passou?
Fui desafiada pela minha amiga Rita a fazer o caminho com ela. Três semanas depois, estávamos a caminho.

2. Qual foi o Caminho que escolheste fazer?
O Caminho Central, devido à disponibilidade de tempo que tínhamos.

3. Quantos dias demoraste? 
6 dias.

4. Que etapas fizeste?
Escolhemos o pacote do Caminho Organizado de Valença a Santiago de Compostela em 6 dias: Valença a Porriño, Porriño a Redondela, Redondela a Pontevedra, Pontevedra a Caldas de Reis, Caldas de Reis a Padrón e Padrón a Santiago de Compostela. A 3.ª e a 6.ª foram as mais difíceis, mas todas marcantes.

Beatriz em mais uma etapa.


5. Como te preparaste fisicamente para o caminho? 
Não me preparei especialmente.

6. Qual foi o momento mais difícil? 
Os momentos mais desafiantes para mim são sempre as subidas, mas o dia mais duro foi Redondela a Pontevedra. Parecia que nunca mais acabava: subidas de pedras grandes, de areia, de pedras soltas, de terra, de raízes. Além de corresponder ao terceiro dia de caminho, foi duro fisicamente, apesar da beleza da paisagem.

8. O que te deixou mais surpreendido no trajeto? 
Tantas coisas! Os músicos, artistas e artesãos em locais inusitados, a simpatia e cortesia de todos os que se cruzavam comigo e me desejavam “Bom Caminho”, as diferentes nacionalidades, idades e motivações que encontrei.

9. Qual foi a melhor refeição do caminho?
Este para mim é o pior ponto de Espanha, quando não se vai a restaurantes caros. A comida de rua é sempre à base de fritos e pouco saudável, o que me custou bastante ao fim de alguns dias.

Beatriz com a amiga Rita que a desafiou!


10. Quem é que conheceste no caminho que nunca vais esquecer? 
Várias pessoas, ninguém em especial.

11.O que não pode faltar na mala de um peregrino?
Mais do que coisas, leva princípios.
Leva leveza: para que cada passo tenha espaço de respirar. A mochila aceita o suficiente; o coração, menos.
Leva silêncio: cabe no bolso mais pequeno e abre as paisagens por dentro.
Leva coragem: dobra-se como um casaco fino e aquece quando o vento muda.
Leva gratidão: é o teu cantil, um gole e tudo sabe melhor.
Leva presença: como um mapa invisível que só funciona quando olhas o agora.
Leva cuidado: uns pensos para os pés e palavras suaves para ti.
Leva abrigo: talvez um saco-cama, talvez o ombro de alguém, ambos aquecem.
Leva partilha: duas barras de energia e uma história. A metade que dás pesa zero.
Leva paciência: não ocupa espaço e alonga os dias bons.
Leva fé (naquilo em que acreditas): uma concha, uma oração, um sorriso, o que te alinhar o passo.
Leva curiosidade: a lanterna que acendes ao amanhecer.
Leva desapego: deixa o “talvez” em casa; o caminho ensina o resto.
E, entre tudo, leva espaço: para o imprevisto, para a chuva que lava, para a conversa que chega, para a chegada que não se apressa. No fim, o que carregas contigo é o que te torna mais leve.

12. Se só pudesses dar uma dica às pessoas que estão a pensar fazer o caminho, qual seria?
Sê leve nas expectativas: deixa espaço para o imprevisto, é aí que está metade da magia do Caminho.

Beatriz e Rita na chegada  Santiago

13. Qual foi a tua reação quando chegaste a Santiago? 
Cheguei cansada e muito grata. Uma alegria calma e um sorriso gigante. Alma leve.

14. Como foi fazer o Caminho connosco, através do Caminho Organizado? 
Gostei muito do acompanhamento, da simpatia. Gostei de todos os alojamentos escolhidos e da preocupação de serem sempre locais perto do caminho, asseados, espaçosos e agradáveis. Gostei das inspirações diárias, das sugestões de restaurantes e senti-me sempre acompanhada. Fazer o caminho convosco foi sentir que ia com mais um amigo uns passos à frente e sempre pronto a ajudar. Recomendo muito, especialmente se for a primeira vez que vai fazer o Caminho de Santiago.

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